O primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinian, chegou nesta sexta-feira (20) a Istambul para uma visita rara à Turquia, inimiga histórica de seu país há mais de 100 anos.
O premiê tem um encontro previsto com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, nesta sexta-feira (20).
Esta é a segunda viagem de Nikol Pashinian à Turquia desde que ele assumiu o poder em 2018. A visita está sendo considerada uma etapa “histórica” rumo à paz na região, já que a
Armênia e a Turquia nunca estabeleceram relações diplomáticas e a fronteira entre os dois países está fechada desde os anos 1990.
Além das relações bilaterais, os líderes também discutirão o conflito entre Irã e Israel.
A Turquia, que compartilha fronteira com o Irã, assim como a Armênia, acompanha com apreensão o avanço da guerra iniciada há uma semana.
O governo turco já vinha alertando, há meses, sobre o risco de um ataque israelense ao território iraniano.
Apesar de considerar o Irã um rival regional e de se opor ao programa nuclear iraniano, o governo turco não apoia os ataques israelenses.
Pelo contrário: Erdogan classifica as ações de “banditismo” e “ataques terroristas” e afirma que Teerã tem o “direito legítimo” de se defender.
O presidente também declara que a Turquia está em “estado de alerta” diante dos possíveis impactos da guerra sobre seu território.
Erdogan se oferece para mediar o conflito entre Tel Aviv e Teerã.
A Turquia defende uma solução diplomática tanto para a guerra quanto para a questão nuclear iraniana.
No entanto, as relações estremecidas com Israel desde o início da guerra em Gaza dificultam qualquer papel de mediação.
Ainda assim, o governo turco tenta manter canais abertos.
Nos últimos dias, Erdogan conversou duas vezes com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e também com o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian.
Além dois riscos econômicos relacionadas ao preço do petróleo e à segurança energética, já que parte do gás consumido no país vem do Irã, a principal preocupação de Ancara está nas fronteiras.
Com 560 km de divisa com o Irã, a Turquia reforçou a segurança na região nos últimos dias.
A visita do ministro da Defesa e do chefe do Estado-Maior à área ganhou destaque na imprensa local.
A preocupação não está relacionada a uma eventual ameaça militar, mas ao possível fluxo migratório.
Se o conflito se intensificar, o governo teme uma nova onda de refugiados iranianos, como ocorreu com os sírios na década passada.
Até o momento, porém, as autoridades afirmam que não há aumento nas migrações irregulares na fronteira turco-iraniana.
Questão curda
Ancara também observa com atenção os movimentos curdos no Irã desde o início da guerra, especialmente o Partido pela Vida Livre no Curdistão (PJAK), braço iraniano do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).
O governo turco rejeita qualquer possibilidade de que esses grupos aproveitem a instabilidade no Irã para avançar com pautas separatistas.
A preocupação cresce diante do anúncio recente do PKK de que pretende se dissolver e entregar as armas após quase 50 anos de conflito com a Turquia.
Ancara espera que o processo de desmobilização ocorra ainda neste verão e avalia se a guerra entre Irã e Israel pode atrasar ou comprometer esse plano.
Para o governo turco, o conflito entre Irã e Israel, e a estratégia regional de Tel Aviv, tornam ainda mais urgente o fim da guerra com o PKK.
Ancara acusa há anos tanto Israel quanto o Irã de instrumentalizarem a questão curda para enfraquecer seus interesses.
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